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Uma catástrofe num festival de verão – resposta na área da saúde

13-Janeiro-2018 - rcaap.pt



O Festival Andanças é um festival de música e dança que reúne todos os anos no verão mais de 15000 pessoas durante uma semana em ambiente rural no centro-interior de Portugal. A edição de 2016 foi ameaçada por um incêndio no parque de estacionamento automóvel de apoio ao festival, que destruiu 458 veículos e obrigou à evacuação de todos os participantes, por precaução, sob o comando da Proteção Civil. Pelas suas características e magnitude, ímpar a nível mundial, procedeu-se à análise dos cuidados de saúde prestados durante e após este incidente. A vigilância epidemiológica do do festival contou com a participação do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), pelo terceiro ano consecutivo, em estreita colaboração com a equipa de prestação de cuidados no festival. O processo de recolha e registo dos dados decorreu em tempo real através de uma plataforma eletrónica desenvolvida pelo Departamento de Epidemiologia do INSA para o efeito. Durante e após o acidente, a análise dos dados foi realizada e comunicada diariamente no formato de relatório e em ambiente de reunião diária com as entidades intervenientes. O registo formal (eletrónico) foi suspenso durante a evacuação e retomado após o regresso ao recinto, três horas depois. Em 2016 registaram-se no Festival Andanças no total 1267 ocorrências de saúde, correspondendo a 920 utilizadores diferentes. Estes eram na sua maioria do sexo feminino (62,9%), portugueses (77,8%) e com idade entre os 20 e os 39 anos (58,5%). Os principais diagnósticos foram as feridas (41,0%), as queixas gastrointestinais (12,5%) e osteoarticulares (11,4%). O número de queixas gastrointestinais levou a investigação mais detalhada, que motivou a intervenção da autoridade de saúde em dois estabelecimentos de restauração e bebidas. A análise dos dados recolhidos informalmente durante a evacuação não evidenciou um impacto relevante na procura de cuidados de saúde pelos participantes, destacando-se apenas o transporte de 4 participantes ao Hospital de Portalegre, com queixas respiratórias após combate direto às chamas, que receberiam alta em menos de 24h. Sem prejuízo dos avultados danos materiais, os dados recolhidos permitem concluir que não houve um aumento relevante da procura de cuidados de saúde associada ao acidente. A existência de ferramentas específicas para recolha e gestão da informação e profissionais treinados nesta área revelam-se importantes para a gestão quer de eventos de massas deste tipo, quer para a atuação em caso de acidente.



Link para o texto completo:
 
http://hdl.handle.net/10400.18/4863